Mamãe e suas economias. Parte 2
Mamãe é natural de Okinawa. Uma ilha no Japão.
De nuance caipira, do campo. Mamãe trouxe de lá o costume de décadas. Acordar cedo. 5 da matima. Todo santo dia. Guerreira, não?
Entre 5h e 8h, mamãe consegue fazer muitas coisas. A saber, andar no parque, jogar free cell, ler e passar o café.
Passar o café. Aqui está a parte que me interessa. Amo café, gosto, sou viciado. Como não sou tão domesticado (acordar às 5h é árduo), mamãe costuma colocá-lo numa garrafa térmica.
Garrafa térmica. Lembram do barato que sai caro? Poisé.
A garrafa térmica de casa estava o horror, toda fudida. E naturalmente, não conseguia fazer o essencial, deixar o café quente. Aconselhei para que comprasse outra. Mas já sabendo da pão-durice da bichinha, falei que uma boa garrafa estaria na faixa dos 100 pila.
Alguns dias depois, nova garrafa. Uma de 10 reais. Não me surpreendi, claro.
A companheira se mostrou um tremendo desastre, como esperado, você ia envergá-la e ia mais café na mesa do que no copo. Uma merda. Nem mamãe suportou. Aposentou em menos de uma semana.
Dias depois, a surpresa. Uma nova garrafa térmica. Mas pera lá, essa era diferente. De inox, e nada de tampa giratória (que é bem anti-higiênica), era um botão todo esquema que abria. Gostei. Achei foda mesmo. O que mais intrigava era que deveria ter custado caro e mamãe finalmente comprou algo que prestasse e ia durar mais que algumas semanas.
Cheguei com aquele ar do tipo “é né, safada, viu como é bom investir um pouco mais em algo que vai durar?” é dei os parabéns à mamãe.
Mamãe apenas disse que tinha ganho a garrafa “faz tempo” e sentiu a necessidade de usar, tava até na caixa ainda.
Minha mãe gastar um pouco mais de pounds? Tava muito bom pra ser verdade.